


Sempre tive vontade de viajar pra África, não simplesmente encantada pelos safáris ou pelas praias, mas atraída pelas pessoas e pela história do continente. Tinha a forte impressão de que ninguém passa ileso ao pisar em um lugar tão especial... Definitivamente não estava errada. Em dezembro de 2009 tive a chance única de ir trabalhar em Maputo, capital de Moçambique.
Engraçado que quando as pessoas conhecidas ficavam sabendo que eu ia pra África, a pergunta inevitavelmente era “África do Sul?” e, quando eu respondia “Não, Moçambique.”, sempre via uma certa expressão de roubada ou, no mínimo, decepção no rosto delas. Ledo engano. Facilmente posso dizer que Moçambique, e tudo o mais que se relacionou com a viagem, teve algo de mágico e perfeito. O que de melhor se pode esperar de uma viagem?
Pra quem não sabe bem onde fica, Moçambique fica no sul da África, fazendo fronteira com a África do Sul, Zâmbia, Malawi, Tanzânia, Zimbabwe e Swazilândia. Esse último, inclusive, foi assunto de uma das fantásticas apresentações e discussões de meus alunos da turma de Mudança Organizacional. Maputo é a capital desse país que, acredite se quiser, é livre de Portugal há menos de 35 anos. Dá pra imaginar o que é ser colônia em pleno século XX? Admito que demorei pra entender o significado real disso, mas conversando com as pessoas é que a gente percebe os impactos disso. Definitivamente, eu não sabia que não sabia nada...
Maputo é uma cidade grande, ainda empobrecida, mas já dando ares de renovação, ainda que lenta. Fica as margens do Oceano Índico e, por isso talvez, tenha sido um local com diversas casas de verão dos antigos portugueses. Hoje, grande parte dessas mansões foi transformada em embaixada ou outro tipo de prédio de governo.
Uma coisa que me chamou muito a atenção em Maputo foi a variedade religiosa. Em minha sala de aula havia alunos católicos, batistas, muçulmanos, etc. Uma verdadeira arte da diversidade. Outro ponto alto, os restaurantes! Sim, Maputo tem de tudo um MUITO! Os melhores do pedaço na minha singela opinião: Piri-Piri (Av. 24 de Julho,14) , O Escorpião (Av. 25 de Setembro, Feira Popular), Mundos (Av. Julius Nyrere, 657) e Vila Itália (Av. Friedrich Engels, 635). Tem outros dois menores que não me recordo bem o nome, mas que servem uma comida tailandesa deliciosa. Uma recomendação: vá com fome, bastante fome. Os pratos são muito bem servidos e deliciosos. Como minhas aulas iam das 17:30 às 22:00, saía da faculdade e ia direto pra algum restaurante previamente escolhido pela internet ou com a ajuda do meu querido amigo Sr. Balati.
Fiquei hospedada em um hotelzinho delicioso chamado Terminus, mas pra quem dispuser de uma graninha a mais, o Hotel Pestana Rovuma é a pedida. Com o forte e constante calor da cidade, acordar as 8:30 da manhã, tomar um café e ficar lendo na piscina até a hora do almoço – ou mais – era uma das minhas opções favoritas. Isso e andar pela cidade, tirando foto de casarões antigos, da beira da praia e do palácio dos casamentos.
Mas o melhor de Maputo, como não poderia deixar de ser, são as pessoas. E aqui quero deixar todo o meu amor e carinho aos 20 alunos que me ensinaram por 2 semanas um pouquinho do que significa ser Moçambicano. Saudades... Nesse caso, não houve dores, apenas delícias.



