terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Moçambique Viva







Sempre tive vontade de viajar pra África, não simplesmente encantada pelos safáris ou pelas praias, mas atraída pelas pessoas e pela história do continente. Tinha a forte impressão de que ninguém passa ileso ao pisar em um lugar tão especial... Definitivamente não estava errada. Em dezembro de 2009 tive a chance única de ir trabalhar em Maputo, capital de Moçambique.
Engraçado que quando as pessoas conhecidas ficavam sabendo que eu ia pra África, a pergunta inevitavelmente era “África do Sul?” e, quando eu respondia “Não, Moçambique.”, sempre via uma certa expressão de roubada ou, no mínimo, decepção no rosto delas. Ledo engano. Facilmente posso dizer que Moçambique, e tudo o mais que se relacionou com a viagem, teve algo de mágico e perfeito. O que de melhor se pode esperar de uma viagem?
Pra quem não sabe bem onde fica, Moçambique fica no sul da África, fazendo fronteira com a África do Sul, Zâmbia, Malawi, Tanzânia, Zimbabwe e Swazilândia. Esse último, inclusive, foi assunto de uma das fantásticas apresentações e discussões de meus alunos da turma de Mudança Organizacional. Maputo é a capital desse país que, acredite se quiser, é livre de Portugal há menos de 35 anos. Dá pra imaginar o que é ser colônia em pleno século XX? Admito que demorei pra entender o significado real disso, mas conversando com as pessoas é que a gente percebe os impactos disso. Definitivamente, eu não sabia que não sabia nada...

Maputo é uma cidade grande, ainda empobrecida, mas já dando ares de renovação, ainda que lenta. Fica as margens do Oceano Índico e, por isso talvez, tenha sido um local com diversas casas de verão dos antigos portugueses. Hoje, grande parte dessas mansões foi transformada em embaixada ou outro tipo de prédio de governo.

Uma coisa que me chamou muito a atenção em Maputo foi a variedade religiosa. Em minha sala de aula havia alunos católicos, batistas, muçulmanos, etc. Uma verdadeira arte da diversidade. Outro ponto alto, os restaurantes! Sim, Maputo tem de tudo um MUITO! Os melhores do pedaço na minha singela opinião: Piri-Piri (Av. 24 de Julho,14) , O Escorpião (Av. 25 de Setembro, Feira Popular), Mundos (Av. Julius Nyrere, 657) e Vila Itália (Av. Friedrich Engels, 635). Tem outros dois menores que não me recordo bem o nome, mas que servem uma comida tailandesa deliciosa. Uma recomendação: vá com fome, bastante fome. Os pratos são muito bem servidos e deliciosos. Como minhas aulas iam das 17:30 às 22:00, saía da faculdade e ia direto pra algum restaurante previamente escolhido pela internet ou com a ajuda do meu querido amigo Sr. Balati.

Fiquei hospedada em um hotelzinho delicioso chamado Terminus, mas pra quem dispuser de uma graninha a mais, o Hotel Pestana Rovuma é a pedida. Com o forte e constante calor da cidade, acordar as 8:30 da manhã, tomar um café e ficar lendo na piscina até a hora do almoço – ou mais – era uma das minhas opções favoritas. Isso e andar pela cidade, tirando foto de casarões antigos, da beira da praia e do palácio dos casamentos.

Mas o melhor de Maputo, como não poderia deixar de ser, são as pessoas. E aqui quero deixar todo o meu amor e carinho aos 20 alunos que me ensinaram por 2 semanas um pouquinho do que significa ser Moçambicano. Saudades... Nesse caso, não houve dores, apenas delícias.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Fora de casa pela primeira vez


E só pra lembrar que estar fora de casa não é só viajar, um antigo desabafo de uma recém saída da casa dos pais... Dores e delícias fora de casa pela primeira vez.


"Morar sozinha é descrobrir uma nova praga doméstica: os cabelos.

Mais que encontrar baratas, mosquitos e formigas você invariavelmente encontrará fios de cabelo por toda a sua nova casa.

Entre descobrir que as roupas não se lavam e se passam automaticamente após o uso, que o banheiro fica com um cheiro esquisito a cada 36 horas e que cozinhar não se resume em colocar no microondas um prato de lasanha (que simplesmente se materializa na geladeira), não há nada mais surpreendente que encontrar seu cabelo em cada milímetro de azulejo do seu apartamento de 35m2.

Não que seja ruim, mas é uma grande descoberta. A partir do momento em que você se dá conta de cada um de seus fios de cabelo, você começa a entender a sua mãe. É engraçado que quando temos 15 anos sonhamos em morar sozinha, mas não levamos em conta os nossos cabelos.

Pensamos na liberdade de não dar satisfações, no prazer de tomar uma cervejinha gelada numa quinta-feira a noite em casa, em não ter ninguém reclamando da cama desarrumada e das louças sem lavar e na economia com os 'gastos pessoais' do final de semana. Em nenhum momento pensamos em nossos fios de cabelo espalhados pelo chão, pela pia, pelos ralos, pelas paredes, pela cama, pelo box... ou seja, por todas as reentrências conhecidas e desconhecidas de seu reino.

Desde que saí de casa, essa foi uma das maiores revelações que tive. Mais que o gasto com telefone, gás, luz, condomínio e supermercado, descobri que ser livre é saber o quanto dependemos de nós mesmas, inclusive para nos livrarmos dos nossos fios de cabelo..." (T.W. 2003).

Troco axé por tango a qualquer momento!


Então vamos lá, Buenos Aires. Desde 1991 não pisava na capital portenha, apesar de ter ido diversas vezes para Montevideo desde então. Sinceramente, lembrava de poucas coisas, apenas de caminhar até ficar com as pernas pesadas e de comer alfajores todos os dias.

Portanto, considerando que não sou uma das mais fiéis fãs de Ivete Sangalo, Claudia Leite, Asa de Aguia (que continuam tocando as mesmas coisas faz mais ou menos uns 20 anos, certo?), achei excelente a idéia de escapar das roubadas carnavalescas e ir pra Buenos Aires.

Primeira dica pra quem estiver indo pra lá: REPELENTE DE MOSQUITOS. Muito, mas muito mesmo! A cidade está absolutamente infestada deles, e se você quiser andar pelas ruas e principalmente pelas lindas praças da cidade, não abra mão de passar generosas porções de repelente. E saia com ele na bolsa para repor sempre que necessário! Sem brincadeira, os mosquitos portenhos são violentíssimos e muito resistentes. Não adianta pensar que porque está ventando horrores, caindo um temporal ou que você está em algum lugar com ar condicionado que eles não vão te atacar: acredite, eles sobreviverão a tudo isso.

Então, munida de um tubo de repelente - após um passeio lindo mas que resultou em marcas de tapas e bolotas vermelhas por todo o corpo - pude conhecer um pouco do melhor da cidade. Centro, La Boca, Recoleta, Puerto Madero e, meu preferido, Palermo. É muito fácil pegar um taxi para qualquer um desses bairros e literalmente bater perna até anoitecer. Pra quem gosta de um café no final da tarde, em cada esquina de Palermo tem um. Pra mim, que sou mais "beer drinker", nada melhor que um barzinho e uma Quilmes. Especialmente nos bares de La Boca.

A noite, em todos os cantos dá pra encontrar um bom restaurante e uma carne sensacional. O melhor dessa viagem, sem sombre de dúvida, El Desnível em San Telmo. Nada sofisticado, e por isso com um preço mais do que justo, você é servido por garçons que simplesmente começam o serviço atirando uma cesta com uns 15 pães e chimichurri para comer. O ambiente é como de uma cantina ou um bar, com gente falando alto e totalmente descontraído. Depois, escolha um bom vinho ou a boa e velha Quilmes e se atire de boca em um Lomo ou Chorizo de 5cm de altura, "jugoso". Só uma palavra para descrever: perfeito.

Outras dicas, mas aí já mais turísticas - leia-se caras - ir ao Asia de Cuba ou ao Cabaña Las Lilas. Mas para ser bem honesta, El Desnível foi o ponto alto gastronômico.

E assim, nesse sofrimento atroz de caminhadas, carne, cervejinha, vinhos e alfajores vão-se passando os dias em BsAs.

Tudo isso e, claro, as compras. Algumas decepções nesse quesito. Primeiro, nada está TÃO barato quanto se fala por aí. O câmbio está favorável, sem dúvida, mas esse negócio de dizer que tudo é baratíssimo, achei balela. Os portenhos já sacaram muito bem os turistas em todos os Bairros citados acima e, tranquilamente, você encontra coisas para comprar com praticamente o mesmo preço do Brasil. Galerías Pacífico, Centro, Recoleta, nada disso estava de cair o queixo, nem no quesito variedade, nem preço. Um lugar que valeu a pena foi a Av. Córdoba, ali pelo número 4000, vários outlets interessante e com preços legais. Ok.

E assim foram as dores e delícias de Buenos Aires. Ahh, pra terminar, se você não fala espanhol, não se preocupe: SÓ tem brasileiro por lá. Quase como os mosquitos...

Fora de casa, como assim?


Comecei pensando em um blog de viagens. Nada a toa, considerando o fato de estar nesse momento planejando a viagem dos sonhos para o Cairo, Istambul, Atenas, Mykonos e Santorini. Mas ao mesmo tempo comecei a pensar que estar fora de casa não significa somente viajar a passeio, conhecer lugares e ter muitos prazeres.

Estar fora de casa para mim significa muitas coisas: viajar a trabalho para lugares fantásticos e outros esquisitíssimos, sair de casa para viver em outro(s) lugar(es) - coisa que já fiz, pelo menos, umas 3 vezes - além de ficar literalmente "fora da casinha" de vez em quando, mesmo com os pés fincados no chão no mesmo lugar.

Começando pelo começo e falando de viagens, motivo inicial do Blog: Buenos Aires, última parada. Carnaval 2010.