
E só pra lembrar que estar fora de casa não é só viajar, um antigo desabafo de uma recém saída da casa dos pais... Dores e delícias fora de casa pela primeira vez.
"Morar sozinha é descrobrir uma nova praga doméstica: os cabelos.
Mais que encontrar baratas, mosquitos e formigas você invariavelmente encontrará fios de cabelo por toda a sua nova casa.
Entre descobrir que as roupas não se lavam e se passam automaticamente após o uso, que o banheiro fica com um cheiro esquisito a cada 36 horas e que cozinhar não se resume em colocar no microondas um prato de lasanha (que simplesmente se materializa na geladeira), não há nada mais surpreendente que encontrar seu cabelo em cada milímetro de azulejo do seu apartamento de 35m2.
Não que seja ruim, mas é uma grande descoberta. A partir do momento em que você se dá conta de cada um de seus fios de cabelo, você começa a entender a sua mãe. É engraçado que quando temos 15 anos sonhamos em morar sozinha, mas não levamos em conta os nossos cabelos.
Pensamos na liberdade de não dar satisfações, no prazer de tomar uma cervejinha gelada numa quinta-feira a noite em casa, em não ter ninguém reclamando da cama desarrumada e das louças sem lavar e na economia com os 'gastos pessoais' do final de semana. Em nenhum momento pensamos em nossos fios de cabelo espalhados pelo chão, pela pia, pelos ralos, pelas paredes, pela cama, pelo box... ou seja, por todas as reentrências conhecidas e desconhecidas de seu reino.
Desde que saí de casa, essa foi uma das maiores revelações que tive. Mais que o gasto com telefone, gás, luz, condomínio e supermercado, descobri que ser livre é saber o quanto dependemos de nós mesmas, inclusive para nos livrarmos dos nossos fios de cabelo..." (T.W. 2003).

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